A Hegemonia Global do Dólar, uma Breve História

(portugues.llco.org)

Como os Estados Unidos entraram consideravelmente tarde no Segunda Guerra Mundial, eles não sofreram tanto com danos ou vítimas como outros países. Sua posição geográfica também ajudou, impedindo que suas cidades sofressem o dano estrutural visto em cidades na Europa e Ásia. Isto, em parte, ajudou o Império Americano a substituir o Império Britânico (embora a Grã-Bretânia ainda seja um poder imperial) como a hegemonia global, especialmente quando a economia americana levou menos tempo pra se recuperar, em comparação à britânica. Começou assim a marcha de conquista total do Dólar, indubitavelmente a expressão mais poderosa do Império americano de sua dominação global e monopólio global.

Pelas exigências da Segunda Guerra Mundial, a maior parte da Europa, que estava numa economia de guerra, teve que importar seus bens de consumo. Os Estados Unidos, que ainda iriam entrar na guerra, estavam prontamente disponíveis pra negociar bens de consumo com a Europa por ouro; e tinham feito o mesmo na Primeira Guerra Mundial, em que também entrou como um retardatário. Em outras palavras, no curso das duas Guerras Mundiais, eles acumularam tantas reservas de ouro que em 1944 já tinham dois-terços das reservas de todo o mundo, conseguindo assim dominar os mercados da Europa com empréstimos de dólar. Tendo a mão forte econômica e monetária, os EUA buscaram fazer do Dólar a moeda corrente de reserva do mundo. Naquele mesmo ano, a Conferência Bretton Woods – também conhecida como Conferência Monetária e Financeira – chegou a um acordo sobre uma séries de novas regras pro sistema monetário internacional pós-Segunda-Guerra, conduzindo à criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Em outas palavras, quase toda moeda do mundo foi forçada a ser atrelada ao Dólar por uma taxa fixa, e o Dólar só poderia ser atrelado ao ouro. Isso catapultou os Estados Unidos ao nível de superpotência global.

Enquanto seus Estados-clientes (como a Coréia do Sul, Arábia Saudita, e Colômbia) e seu apoio para forças de procuração são as frentes econômicas e militares mundiais de sua plataforma de projeção de poder, o Dólar é a faceta monetária internacional. Com as potências européias ocidentais endividadas para o Dólar dos EUA (existem outros países pelo Mundo que chamam também chamam suas moedas de Dólar), os Estados Unidos ficaram livres pra difundir sua influência ao longo dos Estados e da vida política desses país, ajudando inclusive a esmagar muitos movimentos comunistas e trabalhistas dentro desses mesmos países. Isso [essa dívida] também ajudou a selar alianças dos países europeus Ocidentais com os Estados Unidos pela meta compartilhada de destruir o União Soviética, como também unindo atacando outros países na Europa Oriental e países no Sul Global que se recusaram a permitir capital americano nos seus países.

Porém, entre 1965 e 1971, o imperialismo de EUA conheceu um problema: O EUA perdeu quase 50% de seu ouro, o que significou que não havia nada que apoiasse seu Dólar, a menos que pudesse alcançar algum tipo de solução. Como o EUA perderam uma quantia tão grande de suas reservas de ouro? Durante os anos sessenta, os déficits da balança de pagamento dos Estados Unidos excederam seus estoques de ouro—seus pagamentos de repasses internacionais e despesas durante aquele tempo tinham ficado excessivas—tanto que ficou impossível resgatar dólares por ouro ao preço oficial. Em 1971, os EUA atingiram o ponto de crise monetária internacional. O que estava acontecendo durante este tempo particular? A Guerra de EUA no Vietnã, onde o exército de EUA teve uma presença muito robusta, com um total de 9.087.000 militares americanos serviram na ativa até o final da guerra, se envolvendo num ataque imperialista de vinte anos contra as forças de liberação vietnamitas, começando em 1955 e terminando em 1975. De 1961 a 1975, o EUA gastaram mais que $141 bilhões tentando restaurar o poder colonial sobre o Vietnã e manter os Vietnãs do Norte e do Sul divididos; e, como sabemos nós, tudo isso terminou na vitória das forças anti-imperialistas resilientes do Vietnã. Pra esta aventura imperial sozinha, os custos financeiros foram tão grandes pros EUA que tinha começado a pedir emprestado dinheiro da Europa – mas não podiam reembolsar as dívidas com seus estoques de ouro encolhendo e déficits crescendo. O EUA tentaram resolver a questão dos reembolsos da dívida imprimindo dinheiro para fazer ouro mais caro, mas isso falhou e os déficits continuaram crescendo.

“Relembrando o Vietnã”

Por causa dessa crise em 1971, o então presidente Richard Nixon suspendeu a taxa de câmbio do ouro em Dólar (ou sua habilidade de ser convertida em ouro). Como uma resposta, o sistema de ordem foi introduzido para remover a necessidade de ouro e taxas de câmbio fixas, enquanto ainda mantinha o Dólar como a principal moeda internacional. O sistema de ordem significou que não havia nada real, material, ou artigo físico sustentando o Dólar dos EUA e, portanto, nenhum valor real; e, apesar disso, as moedas correntes do mundo ainda são atreladas a isso. Realmente, é um fenômeno curioso, mas tal é o poder do Dólar como um analista político descreve:

“… [Um] tipo de dinheiro que se apóia na confiança do público e na legitimação do governo, em vez de se apoiar em algum artigo real. Como resultado, o dólar dos EUA era, metaforicamente falando, baseado em ar fino; não teve nenhum valor como uma entidade física; seu valor era somente baseado em confiança.”

Com as taxas de câmbio das moedas correntes mundiais constantemente flutuando, há um aumento de valor do Dólar dos EUA que vem da diminuição de valor das moedas correntes de nações mais pobres—facilitando assim exportações mais baratas criadas por trabalho explorado barato nos Países do Terceiro Mundo. Se qualquer uma dessas nações mais pobres ganhasse independência e desafiasse a hegemonia global dos EUA, como Cuba (e muitos outros como ela) fez para se libertar do domínio dessa moeda sustentada por um Estado mafioso, então os Estados Unidos fariam tudo que pudessem pra cortar o acesso desses rebeldes aos recursos de todo o mundo, por qualquer meios [que acharem] necessário, inclusive a força.

Desvalorização do Dólar no século passado

Seja impondo sanções econômicas, golpes apoiados pela CIA, ou campanhas ilegais de bombardeio, é com todo tipo de poder e controle sobre a economia mundial que os EUA agem unilateralmente [pra sobreviver enquanto economia imperialista], desprezando a Carta da ONU e todo o direito internacional.

Escrito por Janelle Velina
Traduzido pro português por Rivaldo Cardoso Melo

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