Reavaliar o Valor e a Exploração (ou O ABC da Luz-Guia)

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Quando seu pai morreu em 1883, Eleanor Marx escreveu un artigo para comemorar as conquistas de seu pai. O enfoque foi sobre a “Teoria do Valor, na qual Marx explica as origens e a persistente concentração do Capital nas mãos de uma classe privilegiada.” (1) O que se considerava tão importante no momento da sua morte, mais de um século depois foi eliminado, anulado pela maioria das pessoas que se dizem ‘marxistas’. Os chamados ‘marxistas’ omitem a teoria real do valor de Marx pelo fato vergonhoso de que, quando interpretada literalmente, exclui a maioria dos trabalhadores no mundo desenvolvido de serem explorados; os exclui da classe revolucionária do proletariado. A característica de uma teoria verdadeiramente científica é o que tem de maior potencial explicativo e predicativo comparada com as teorias que competem com ela. Se a Teoria do Valor de Marx é a teoria científica mais atual, segue sendo uma questão em aberto. Mesmo assim, a teoria de Marx é muito mais científica que as teorias “marxistas” propostas pelos primeiromundistas. A teoria de Marx não só nos dá as ferramentas e a linguagem para explicar o surgimento da economia consumista dos EUA e outros países do Primeiro Mundo, mas também nos ajuda a prever e explicar a falta de libertação revolucionária da grande maioria da grande maioria das massas do Primeiro Mundo. A teoria de Marx pode ser comparada com a Astronomia pela diferença com a Astrologia dos primeiromundistas que se apresenta como “marxismo”.

Eleanor Marx descreve a Fonte do Valor dentro do capitalismo:

“A quantidade que entra no bolso do capitalista, que Marx chamou de Mais-Valia, não é todo o lucro, apesar de incluir o lucro do empresário. O empresário tem que compartilhar com os outros: com o governo na forma de taxas e impostos, com o proprietário da terra em forma de renda, com o comerciante et cetera. Portanto, com todas as classes sociais que não são produtoras diretas da riqueza. Todas as classes, desde reis e rainhas, como músicos e burocratas, vivem em ação pelo lucro desse capital. Em outras palavras, todos eles vivem às custas da mão-de-obra excedente daqueles que produzem, mão-de-obra que os capitalistas extraem dos trabalhadores, mas não pagam por isso. Não importa se a proporção de Mais-Valia que chega a cada membro da sociedade não-produtora é dada por algum ato do parlamento por meio do lucro público (por exemplo, auxílios sociais e pagamento de soldados), ou se talvez necessariamente essa porção tem que ser ganha com algum trabalho que não é produtivo (burocracia, dentre outros). Não existem fundos pelos quais se possa pagar a esses não-produtores, exceto a boa vontade gerada pelos produtores diretos, pela qual não serão pagos.” (2)

Segundo Karl e Eleanor Marx, o Valor que faz a sociedade ter movimento tem uma só Fonte, “os produtores diretos de riqueza.” Na Inglaterra da época de Marx, essa classe estava composta por industriais, operários assalariados – isso incluiria os trabalhadores das fazendas industriais, já que os agricultores produtores diretos foram saindo de cena. Marx previu que as tendências que viu na Europa Ocidental se desenvolveriam em todo o Mundo. Acreditava que a sociedade seria polarizada em duas grandes classes, os capitalistas industriais e seus trabalhadores. Portanto, enquanto o capitalismo avançava, o produtor direto seria substituído pelo operário industrial. Também viu a classe trabalhadora industrial como Proletariado, como O Agente Revolucionário. Marx pensava como competição e, eventualmente, o desenvolvimento se expandiriam por todos os países. Portanto, o caminho pra Revolução era “Proletários de Todos os Países, se unam!” Apesar de tudo, as coisas não saíram exatamente como Marx previu.

É importante assinalar que muitas das conclusões de Marx chegaram a um nível de modelos abstratos, como fazem os economistas de hoje. Isso, junto com uma boa dose de teologia, informa seus pontos de vista. O Mundo real, no entanto, é mais complicado. A sociedade global não se polarizou como Marx previu. Pelo contrário, vemos diferenças na composição de classes sociais de cada país. En alguns países há poucos produtores diretos. Estas são as economias consumistas do Primeiro Mundo. As fábricas já não dominam a vida dos povos do Primeiro Mundo. De fato, só uma pequena porcentagem dos habitantes do Primeiro Mundo trabalham em fábricas. A maioria é empregada na administração, serviços etc. Isso pode ser descrito pelas palavras de Marx como uma redução da porcentagem da população ocupada com trabalho produtivo, que adiciona alguma coisa ao produto social total. Muitas das economias dos países do Primeiro Mundo podem ser descritas como centros comerciais. Nada ou quase nada se produz nesses centros comerciais. No entanto, as pessoas lá trabalham com a administração, transferência, e asseguramento das mercadorias procedentes do exterior que são vendidas no centro comercial. É a entrada desses produtos nos centros comerciais o que mantém eles em serviço. A produção das mercadorias tem lugar fora do centro comercial, no Terceiro Mundo. Foi a aniquilação da produção direta, e com ela a destruição da consciência revolucionária, o que levou Engels a escrever sobre a burguesificação da classe trabalhadora da Inglaterra às custas da Índia e do resto do Mundo. Sobre os trabalhadores ingleses, Engels escreve: “Os trabalhadores só participam na festa do monopólio inglês sobre suas colônias no mercado global.” Ainda que Marx estivesse equivocado sobre o desenvolvimento da unificação e polarização da sociedade, sua Teoria do Valor é válida hoje em dia.

A economia mundial é composta de cadeias de interação econômica. Cada produto tem um ponto de onde é produzido. Antes que esses produtos saiam de circulação, podem ser negociados várias vezes. Suponhamos que uma mercadoria é produzida em A. Foi depois vendida a uma pessoa intermediária, e transportada e vendida novamente em um ponto C. Sendo finalmente vendida a mercadoria na loja, ela sai de circulação. Essa cadeia pode ser expressa da seguinte maneira:

A-> B-> C

Em cada etapa do movimento das mercadorias é possivel gerar lucro. Suponhamos que se ganhe receita quando se vendem os bens da fábrica de A para uma pessoa intermediária no ponto B. Lucros também sã conseguidos pela pessoa intermediária quando ela vende o produto pra loja em C. Por último, o lucro também é gerado inclusive quando as mercadorias são vendidas pela loja C ao consumidor. Apesar de que lucros diferentes são gerados em todas as fases da circulação de produtos, os lucros são unicamente gerados pelo produtor direto, segundo Marx. Apesar de que alguns lucros sejam gerados pelo intermediário e pelo distribuidor, esse lucro não é produzido pelos empregados, pela pessoa intermediária B ou pela loja C. Marx dá uma explicação brilhante sobre isso, dizendo que o comerciante não se enriquece roubando os seus empregados:

“Temos que marcar diferenças entre ele e os trabalhadores diretamente empregados no setor industrial que existem entre o capital industrial e o capital comercial, portanto, entre o capitalista industrial e o comerciante. Como o comerciante, que é um simples agente de circulação, não produz nem Valor e nem Mais-Valia, por isso que os empregados que trabalham para o comerciante nessas mesmas funções não podem criar mais-valia para ele diretamente. Em outras palavras, o comerciante não se enriquece roubando os próprios empregados” (3).

Às vezes, Marx no é coerente nesse sentido. Às vezes se contradiz com sua Teoria do Valor. Mesmo assim, o que Marx disse sobre os empregados comerciais se generaliza, sim, a todos que não participam na produção. A produção direta é a origem do Valor e a verdadeira fonte de todos os lucros. Assim disse Eleanor Marx, o valor resultante para cada classe provêm dos produtores diretos. Isso é válido não só para as classes dominantes, mas também para aqueles que não são produtores diretos ou estão fora do processo de produção direta. Esses empregados podem ajudar na formação do valor, mas não produzem tanto quanto o produtor direto. Um banco não consegue lucros pela sucção de seus caixas. Um banco consegue seus lucros ao receber uma parte do total social produzido pelos produtores diretos. O banco acumula sua parte através de investimentos e manipulações financeiras, mas o valor provém da produção direta. O mesmo acontece com o supermercado. Ele não cultiva hortaliças em seu estabelecimento. Os duendes de Papai Noel não trabalham no Wal-Mart.

Devido ao enorme potencial produtivo do capitalismo, essas áreas improdutivas se expandiram significativamente. De fato, chegaram a ser dominantes nas economias nacionais de todo o Primeiro Mundo. Wal-Mart, por exemplo, é o maior empregador dos EUA (incluindo trabalhadores clandestinos), uma média de 26 milhões nesses campos da economia que vagamente (porque temos base nas estatísticas do Ministério do Trabalho dos EUA) correspondem à produção. (5) É importante notar que muitos dos que trabalham nessas áreas não são produtores diretos. Muitos são empregados como gerentes etc., inclusive ainda que trabalhem em setores relacionados com a produção direta. Uma estimativa conservadora diz que algo entre 10% e 30% dos que trabalham nessas áreas não são produtores diretos em sentido amplo ou restrito. Sendo generosos, podemos dizer que de 18,2 até 23,4 milhões dos trabalhadores americanos podem ser considerados como produtores diretos, no sentido mais amplo possível. Ao contrário, algo entre 121,6 milhões até 126,8 milhões dos trabalhadores nos EUA não podem ser considerados produtores diretos em nenhum sentido. (6) Este tremendo desequilíbrio é a razão pela qual a economia dos EUA pode ser descrita como economia de consumo. Por maiores que as forças produtivas deles possam ser, entre 18,2 milhões até 23,4 milhões de pessoas, não podem dar conta da soma dos ganhos dos 145 milhões de empregados, mais o que recebem as dezenas de milhões de pessoas que não têm emprego, mas têm renda mesmo assim, como os capitalistas, a pequena burguesia, os desempregados, pensionistas, estudantes, os do bem-estar social et cetera. É mais lógico pensar que o valor que permite esse tremendo desequilíbrio tem que vir de fora “do centro comercial,” no Terceiro Mundo. Claro, não é por acaso que o aumento desse desequilíbrio nos EUA corresponde na história com a subida deles como potência imperialista suprema depois da Segunda Guerra Mundial e da diminuição da rivalidade interimperialista. O imperialismo contribuiu para o desenvolvimento dessa desigualdade, e continua mantendo ela. O desequilíbro não está só na produção, mas também na riqueza e no poder, que é a razão pela qual Lin Biao mostrou que a Revolução no Primeiro Mundo se deteve inclusive enquanto mais revoluções estalavam no Terceiro Mundo. “Desde a Segunda Guerra Mundial , o movimento revolucionário do proletariado por diversas razões foi temporariamente retido na região da América do Norte e do Oeste capitalista, os países europeus, enquanto que os movimentos populares revolucionários na Ásia, África e América Latina estavam crescendo com força.” (7)

Outra hipótese de Marx é que as rendas dos produtores diretos no capitalismo, em sua maioria trabalhadores industriais, se reduziria a um nível mínimo de subsistência ou até menos que isso. Isso porque em um modelo puramente teórico a competição entre os capitalistas conduziria à igualdade da técnica. Por isso que a única forma de aumentar os lucros dos capitalistas seria reduzindo salários. Assim, o único caminho que restaria pra um capitalista aumentar seus ganhos seria a redução dos salários. Marx pensou que isso era tão inevitável para o capitalismo que identificou o Valor da Força de Trabalho como sendo o mínimo necessário para manter o trabalhador repetindo seu trabalho todo dia. Mesmo que esse empobrecimento dos produtores diretos seja real na maior parte do Terceiro Mundo, dificilmente caracteriza qualquer trabalhador nos EUA, exceto talvez alguns trabalhadores sem documentos insignificantes, nas bordas da economia. Em geral, poderiam se enquadrar também os presos de lá forçados para o trabalho produtivo. Mas, olhando de perto, essa condição de miséria nem caracteriza sequer esses presos obrigados a trabalhar no Primeiro Mundo. Mesmo aqueles que produzem no Primeiro Mundo recebem uma ampla gama de benefícios, todos eles muito acima do Valor da Força de Trabalho segundo critério estabelecido por Marx (e pelas estatísticas atuais). Os ganhos e o nível de vida deles são tão altos que fazem com que, em geral, fiquem contentes com a própria sorte dentro do sistema. Eles são educados pelo sistema imperialista. Em geral, se alinham com o sistema imperialista. Apesar de Marx estar equivocado sobre os detalhes exatos da miséria, seus pontos de vista sobre o Valor permitem entender o que se vê hoje em dia.

Pelo modelo de Marx, é possível que o Valor se transfira dos produtores diretos para outros produtores diretos. Em outras palavras, os produtores diretos no Primeiro Mundo podem obter uma parte do excedente que se origina no Terceiro Mundo. Inclusive, se um produtor direto no Primeiro Mundo estiver adicionando valor ao produto social global através do seu trabalho, ao mesmo tempo, estará recebendo boa parte do produto social global da mesma maneira que fazem outras redes exploradoras. Ele estará conseguindo uma parte do Valor produzido pelo Terceiro Mundo. Isso compensa qualquer Valor que eles produzam, o que converte eles numa rede de exploradores, igualzinho a outras classes exploradoras. Hoje em dia, praticamente toda a economia mundial está integrada na formação de uma cadeia produtiva imperialista gigante. A produção da mercadoria pode ter lugar em vários países diferentes. Pra completar uma mercadoria, é comum que os produtores tenham contribuido com sua produção através de grandes distâncias. Sustentar que a Força de Trabalho dos produtores do Primeiro Mundo é diferente da Força de Trabalho dos produtores do Terceiro Mundo é chauvinismo puro, sobretudo porque as economias estão muito globalizadas hoje. Qualquer enfoque pra resolver esse problema deve se aplicar aos trabalhadores em todas as partes. A camarada Servir ao Povo criou uma solução avançada para o problema que é estabelecer uma estimativa aproximada do Valor da Força de Trabalho:

“O camarada Marx apontou que o trabalho é a substância essencial do Valor. Disse que o número de horas de trabalho mediano que é socialmente necessário para produzir uma mercadoria representa seu valor. Isso significa o trabalho da produtividade mediana dentro das condições de trabalho dadas por cada tipo específico de trabalho. Portanto, numa negociação sobre valor, uma hora de trabalho posto na costura de roupas é equivalente a uma hora de montagem de máquinas de lavar (se o trabalho nos dois casos é de produtividade mediana).

O PIB nominal de todo o Mundo (valor de toda a riqueza produzida no Mundo) foi de 31,9 trilhões de dólares em 2002. Esta cifra representa tudo o que se produziu no mundo, inclusive serviços (que en geral são sobrevalorizados), em um período de um ano. A população é de aproximadamente 6,4 bilhões. Suponhamos que 2/3 dessas pessoas trabalham em tempo integral para 2000 horas por ano, como é típico nos E$tragos Unidos. Então o valor do trabalho mediano é de U$7.500,00 por ano, ou U$3,75 por hora (lembre que o cálculo foi feito em 2005 com dados de 2002, o que aumentaria o preço da hora de trabalho, porque em 2005 o Mundo tinha mais pessoas).

Em outros textos eu vi cálculos da ONU que indicam que o PIB nominal do Mundo em 2005 é aproximadamente 36 trilhões de dólares. Segundo essa cifra, o valor do trabalho seria aproximadamente U$8.400,00 por ano, ou U$4,20 por hora.

O que isso significa? O salário mínimo nos E$tragos Unidos é de U$5,15 por hora, e ainda maior em alguns estados e cidades. Se o trabalho mediano global vale U$4,20, mesmo os que ganham salários mínimos lá recebem pagamentos que superam a média global em 23%, aproximadamente. O salário mediano nos E$tragos Unidos está perto de U$18 por hora, ou quase 4 vezes o valor global do trabalho.” (8)

Vejamos outra solução. Em sua descrição da Teoria do Valor-Trabalho, Eleanor Marx analiza a distribuição do produto social global sob o capitalismo. A Teoria de seu pai sobre o Valor implica que umas distribuições são capitalistas, outras são socialistas. Eleanor caracteriza a sociedade de sua época como capitalista com uma distribuição na qual os que não contribuem com a produção social global recebem benefícios dela. De fato, a  maioria dos excedentes são distribuídos aos não-produtores de várias classes dentro do capitalismo. É correto criticar a distribuição do produto social para as classes reacionárias não-produtoras. Por outro lado, qualquer socialismo contemporâneo tem que dirigir a distribuição não só para outros produtores, mas também para a imensa massa miserável que vive pelo Mundo, para os desempregados pobres do Terceiro Mundo. Os indigentes que não trabalham são uma classe muito importante, potencialmente explosiva, que forma uma classe social própria nos subúrbios das cidades do Terceiro Mundo. Se o Mundo tivesse se polarizado como Marx sugeriu, então uma distribuição socialista voltada só para os produtores teria sentido. Contudo, esse não é o nosso Mundo de hoje, nem é nosso socialismo. Nosso problema é que, pelo esquema de Marx, o valor pode ser transferido dos produtores para os que não produzem e outros produtores, o que faz necessário saber quem é e quem não é explorado. Eu (Campo Flamejante) criei outra possível solução para esse problema que se afasta da Teoria do Valor de Marx, mas pode se dizer implícita na crítica de Marx ao imperialismo:

“Alguns poderiam debater que uma distribuição socialista não é uma distribuição igualitária. Pelo contrário, numa distribuição socialista a riqueza se distribui, não de maneira uniforme, mas para aqueles que trabalham e para as nações que trabalham: quem não trabalha, não come. Embora a Teoria do Valor-Trabalho possa ser necessária para explicar a mecânica da exploração, o princípio de distribuição associado a ela não é adequado para resolver o problema da desigualdade entre os países que foi gerado pelo imperialismo. Esse princípio de distribuição não se preocupa com o problema do subdesenvolvimento. Sem dúvida, os povos das nações mais subdesenvolvidas do Terceiro Mundo, que viraram povos improdutivos por culpa do imperialismo, não devem continuar na pobreza extrema em um socialismo Mundial. Sob o socialsimo, os recursos e o desenvolvimento não deveriam ser dirigidos a esses povos, aos países inteiros do “exército industrial de reserva” no Terceiro Mundo que atualmente não podem ser produtivos? Segundo os demógrafos, em pouco tempo, pela primeira vez na História, a maioria da população mundial viverá em cidades. O novo “campo global” como sendo novas bases para o Exército Popular pode ser, tranquilamente, os guetos das megalópoles do Terceiro Mundo. Esses guetos são lugares menos apropriados para a produção, o que mostra como a anarquia de produção do capitalismo não conseguiu fazer grandes segmentos da população humana serem incluídos na produção. Sem dúvida, o socialismo tem que falar com essas grandes populações, que serão os soldados das Guerras Populares do próximo século.

A economia globa é uma relação de causalidades na qual o valor, em diversas formas, é transferido em todo o Mundo de uma pessoa para outra. Assim, se uma pessoa está recebendo uma parte maior, então alguém estará recebendo menos que sua parte causal. Do mesmo modo, se alguém está recebendo menos, outra pessoa está recebendo mais. O imperialismo criou uma ordem mundial onde os que recebem menos e os que recebem mais correspondem aos povos do Terceiro Mundo e do Primeiro Mundo, respectivamente. Usando o igualitarismo como ideia regulativa, o indivíduo é explorado quando não recebe uma parte equitativa. Um país é explorador quando seu povo está em grande parte formado por exploradores que têm mais que sua parte equitativa. É implícita na crítica marxista ao imperialismo a ideia de que os países do Mundo devem existir lado a lado como iguais. Uma relação que se oponha ao imperialismo é uma relação baseada na igualdade e na autodeterminação dos povos.” (9) (10)

Marx evitou o problema quando atribuiu as necessidades históricas nas tendências que via ao seu redor. Apesar de que a Teoria real do Valor-Trabalho de Marx está em grande parte esquecida, é muito melhor que qualquer outra proposta pelos primeiromundistas de hoje em dia. Temos que começar, mas também ir mais além, da Teoria do Valor-Trabalho de Marx para responder ao que Mao chamou de Questão de Primeira Importância, a questão de classe: “Quem são nossos inimigos? Quem são nossos amigos?” A sociedade global está muito diferente hoje do que nos tempos de Marx. Lenin escreve: “O imperialismo tem tendência a criar setores privilegiados também entre os trabalhadores, e também a separar eles das amplas massas do proletariado.” (11) Nos dias de hoje, essa divisão evoluiu de tal maneira que os países do Primeiro Mundo carecem de todo o proletariado, como classe revolucionária. Essa é a razão pela qual a Revolução Mundial tomou uma forma muito diferente daquela dos tempos de Marx. Lin Biao escreve, “a Revolução do Mundo contemporâneo também apresenta uma imagem de cerco das cidades pelas áreas rurais. Numa análise final, toda a causa da Revolução Mundial depende das lutas revolucionárias dos povos asiáticos, africanos e latinoamericanos, aqueles que são a imensa maioria da população mundial.” (12)

A REVOLUÇÃO DE HOJE É A GUERRA POPULAR MUNDIAL.

Escrito pelo Comandante “Campo Flamejante”
Traduzido para o Português por Rivaldo Cardoso Melo

Notas:

1. Marx, “A Teoria do Valor de Marx,” Eleanor quando Karl Marx morreu. Ed. Foner, Philip S. União Internacional de Editores. EUA: 1973 p. 230
2. ibid. p 235
3. Marx, Karl. O Capital, vol. 3 Capítulo XVII
4. http://www.usatoday.com/money/industries/retail/2003-11-10-walmart_x.htm
5. Datos extrapolados de estadística BLS a partir de 2009 y 2010 http://www.bls.gov/cps/faq.htm # Ques8 e ftp://ftp.bls.gov/pub/suppl/empsit.cpseea21.txt
6. O método aqui é somar todas as indústrias que, vagamente, podem ser chamadas de “a produção direta.” Fazemos o mesmo para outros setores. Ademais, sobram mais ou menos 10% a 20% dos empregados para dar conta do setor da produção direta, mas que, de verdade, não são produtores diretos por si mesmos, são gestores, engenheiros de produção et cetera. Os números são das listas de emprego da Secretaria do Censo americano.
7. Lin Biao. Viva a Vitória da Guerra Popular! http://www.marxists.org/reference/archive/lin-biao/1965/09/peoples_war/ch07.htm
8. Servir ao povo: Uma estimativa aproximada do valor do trabajo. http://monkeysmashesheaven.wordpress.com….alue-of-lab or/ * O salario mínimo nos EUA é de U$ 7.25 por hora.
9. Campo Flamejante: Marxismo Real X o falso na distribuição socialista. http://monkeysmashesheaven.wordpress.com….t-distribution/
10. Campo Flamejante: Desigualdade Mundial ou Socialista por Igualdade. http://monkeysmashesheaven.wordpress.com….alist-equality/
11. http://www.prisoncensorship.info/archive/etext/mt/imp97/imp97b1.html
12. Lin Biao. Viva a Vitória da Guerra Popular! http://www.marxists.org/reference/archive/lin-biao/1965/09/peoples_war/ch07.htm

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